Vida Descritiva




volta

 

Há muito que não publico, o ato de escrever sobre as dores da alma estava sendo alimento para o desespero, parei pra ver, paguei pra ver, fui viajar.  

Um dia escutei “somos o que comemos”, digo o que alguém já falou “somos o que pensamos”, frases feitas, pensamentos rápidos, atalho.

Com muita terapia somada a uma vontade absurda de ver a real cor da vida, parei com o caminhão de ansiolíticos e antidepressivos que engolia, “somos o que comemos”, vivo agora como um alcoólatra “um dia de cada vez “, 24 horas é o tempo que me separa da próxima etapa, não faço planos longos, “somos o que pensamos”.

Felicidade é questão de decisão, resolvi ser feliz, desisti de ser deprimido, o ar invade os meus pulmões sem que precise fazer força, quase que não penso mais para respirar, não me sinto piegas.

Felicidade tranqüila, tristeza na medida do ocorrido, tudo balanceado como um prato diet, a minha vida esta diet.

Quero voltar a escrever, quem sabe pra falar sobre sexo.

 

 



 Escrito por Rogério às 16h26
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Palavra lascada

 

Vontade, apetite. Estou com fome, quero descobrir o que não sei, quero achar o que está perdido, a paixão não me faz companhia, nunca me desejou por perto, quero viver uma grande paixão, quero saber descrever como é, não sei, apenas imagino, suponho teoricamente como pode ser. Quero sentir pra poder guardar como provisão vital para os dias finais, para o dia do nada.

Vida monocromática. Empurro os ponteiros do relógio para dias sem perspectiva, conto as horas, os anos passam na mesma velocidade que os dias, fecho os olhos, 89, 90, 91...2004, é o mesmo dia, o ano que passou, a vida se repete, o dia se repete, visão afunilada, estrada empoeirada, o olhar é oblíquo, conto os destroços, conto os passos, olho pro chão. Sempre achei que poderia mais, sempre tive a impressão de ser o que nunca serei, aos 20 de cara pintada o mundo estava sobre os meus pés, não andava, pairava sobre tudo, sobre todos, aos 30 descobri que homens não voam.

Resta apenas o escrever por escrever, o pensar por pensar, ocupar a mente com a combinação de palavras me dá apenas a sensação de pequenos saltos, quase um caminhar, um pé sempre ao chão, fincado demais para mudar.

Textos alienados, egoístas em cada palavra, egocêntrico, a cabeça gira em torno da própria cabeça. Não sou cuidadoso com o que sinto, sou covarde no que as vezes quero, do nada a poesia sem nada, acontecimentos viram prosa e quando não tiver mais nada pra escrever, insisto no ridículo no banal, no balbuciar por medo do silêncio.

Ultimamente escrever está sendo como esculpir em pedra dura, cada palavra é conseguida com muito esforço, lasca por lasca é retirada do bloco, a picareta bate sobre a superfície em busca de uma forma mais harmônica, não estou conseguindo



 Escrito por Rogério às 12h00
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O poder de mudar, o tesão de escrever

Demorei a pegar no sono está noite, apesar do caminhão de soníferos que tomo, eles insistem em não fazer efeito, o máximo que consigo é ficar relaxado. Um milhão de idéias salpicam na minha cabeça, surgem como água em uma cachoeira, despencam do alto, esparramam em borbulhas e seguem pelo córrego, é como ver um filme em alta rotação, as idéias são mais rápidas que a possibilidade que tenho de reter, é selvagem, é instigaste é provocativo.

Já sei como tudo acaba, procuro não enfrentar a insônia, tomo coragem, me enrolo no edredom, puxo o note para próximo de mim, é hora da auto-análise digital. Estou pensando muito na referência que virou os blogs, Andei vendo coisas legais, muita gente com talento, a oportunidade de expressão escancarada, pessoas que a muito não escreviam voltaram a escrever, pessoas que nunca escreveram tomaram um copo duplo de coragem e passaram a colocar suas idéias na tela. A parte interessante foi instigar as pessoas que não tinham o hábito de ler a participar dessa miscelânea de idéias, foram convidados e aceitaram, passaram a devorar essa torre de babel de textos bem escritos, escritos de qualquer jeito, escritos com o coração, com a alma, as vezes com nada.

hoje entendo a net e os blogs como um grande mosaico multifacetado, construído de pequenos cacos de vidas destroçadas, de vidas em plena descoberta, de vidas que ainda não viveram o suficiente, de vidas resolvidas, pessoas de todas as idades, de todos os cantos, de todos os credos, cacos prontos para serem colados, trabalhados.

A net me pegou com seu visgo, prendeu os meus pés com cera quente, por conta disso estou longe dos autores que gosto de ler, de certa maneira esse modo de expressão prendeu minha alma em histórias reais, vidas em curso, vidas quase ao vivo, entendi que o meu momento está ligado a essa nova maneira de se comunicar, fonte inesgotável de sentimentos que sugo e as vezes exponho, crônicas, poesias, não sei quanto tempo vou ficar por aqui, por hora nenhuma outra mídia me interessa mais do que essa.

Penso que em um livro o autor só terá o retorno do que escreveu meses depois, geralmente por críticos cheios de paradigmas, aqui tudo é mais simples, mais rápido, pessoas comuns escrevendo pra pessoas comuns que por sua vez fazem suas críticas, ou simplesmente mostram o que sentem.

Quase sempre, o que escrevo não dá tempo de digerir, apenas lanço na rede, as vezes nem acredito, as vezes foi apenas um pensar com os dedos, não importa, amanhã poderei publicar um texto que conteste este.

Me atrai profundamente a dinâmica de publicar com freqüência, geralmente textos brutos, sem correções ou quase nenhuma, me atrai deixar aberto para ser reformulado, reconstruído, transformado, é como se nada estivesse exatamente pronto, poder voltar atrás, republicar, acrescentar uma frase nova, ou simplesmente uma palavra.



 Escrito por Rogério às 19h47
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Brumas

As brumas tomaram conta da manhã, invadiram todos os cantos da cidade, por onde olhasse lá estava uma espessa camada de fumaça suave, tive a impressão de estar andando num mar de leite gasoso, as vezes me sinto como a bruma, ao mesmo tempo que invade todos os espaços, é frágil a qualquer mudança , desaparece sem avisar, caminham em direção do nada, se esvaem em gotas tão ínfimas que não é capaz de alterar nem ao menos a umidade do solo.

Meu coração bate compassado, sem emoção, sem nada para diferenciar os dias, a segunda é parecida com a terça que é parecida com a quarta, sinto que preciso experimentar, explorar, arrojar.

Andei tanto em montanha russa que agora me perco, a vida ficou sem graça, as emoções são isentas de tempero, encontro-me atrelada a um carrossel, rodo e não chego a lugar algum, a música é sem motivo, chata e repetida, apesar da insatisfação que toma conta do meu espírito, admito que não suportava mais a dor das grandes oscilações, agora preciso achar o desequilibro saudável , preciso me livrar das drogas que me deixam no prumo de maneira rígida, sei da incoerência, mas tudo que não desejo é ser exato, a minha lógica é e tem que ser distorcida, particular e única, o caminho que procuro só serve pra mim, não está em nenhum mapa, em nenhum livro, em nenhum conselho.

Estou em um estado de descontentamento permanente, sinto que me sobra energia, as horas passam e não consigo dissipar, acho que falta estar apaixonado, falta querer alguma coisa que por hora não sei.

O meu trabalho também incorporou a rotina, não existe mudança, estou preso a um trilho que só chego a uma estação, entrego a encomenda que me foi feita e volto, o dia seguinte será a mesma coisa, até mesmo os textos que escrevo são sempre os mesmos relatos, só mudo as palavras, o conteúdo se repete, repete, repete é como eco, sinto que estou respondendo sempre a mesma pergunta.

Sempre fugi da vida insossa , prefiro que o sal conceda o sabor, o tempero é o grande segredo, é determinante, é o que difere as pessoas que tem brilho e as que vivem com os olhos opacos, mesmo nos momentos que havia apenas um resto de vida jogado no canto da alma, nunca me deixei ser levado ao ócio total, nem que fosse um pequeno bilhete, um esboço de um prédio que nunca seria construído, uma carta testamento zelosa em seu conteúdo. O suicídio.



 Escrito por Rogério às 20h22
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Iguais na dor

Tem dia que é difícil começar um texto novo, esta semana já tentei algumas vezes, mas nada muito interessante pra falar, a minha memória esta meio sem graça, o jeito foi sentar na frente do teclado com um sentimento de que posso.

Começar escrever dizendo que está difícil escrever pode ser uma boa tática, depois do primeiro parágrafo as palavras começam a fluir, despencam da cabeça para o teclado como a chuva cai do céu e escorre pelos vales.

Como a água, o pensamento escolhe o caminho mais fácil e de tanto passar pelo mesmo lugar o fluído vence o sólido, rasga o chão e deixa marcas, o pensamento contínuo que recusa mudanças, rasga a alma e cria a sua própria estrada, da mesma forma que a terra árida é erodida, a alma tem que ser preservada como floresta virgem, deixar que suas raízes façam o trabalho de abrandar a fúria da velocidade desmedida da ação inconseqüente do agir por impulso.

Escrever para mim é o mesmo que pensar alto, é romper com o compromisso, com a rigidez dos costumes, para tanto,  a personalidade tem que ser desequilibrada a todo instante, se não fizer, então tudo estará consumado, a vida estará vivida, porque querer mais?

Quebrei os últimos cacos que restavam, sou uma colcha de retalhos, penso muito sobre tudo, mas não tenho opinião preestabelecida sobre nada, sinto que dessa forma a vida se amplia, o horizonte que estava afunilado e próximo se distância, vejo as coisas de um ângulo mais aberto, portanto vejo mais coisas. Desta forma criei o meu remédio, o meu elixir que a conta gotas me faz vencer a depressão crônica

A rigidez de pensamento e de conduta precisava ser quebrada para que uma nova história pudesse ser contada, comecei a discutir a minha vida.

Escrever o cotidiano sem medo da exposição me fez sentir aliviado, então, pelo acaso, descobri que existe uma nação de deprimidos, em quase todos os textos encontro comentários de pessoas que estão no mesmo barco, que sentem as mesmas angustias e enxergam o horizonte de maneira desfocada, pisam sobre as mesmas pedras angulares e a dor é muito parecida, dor, que na maioria dos casos não é compreendida , pois não precisamos de uma cadeira de rodas, não temos câncer nem qualquer outro mau que seja visível aos olhos de quem nos enxerga, carregamos todas as dores do mundo e um sentimento de solidão extremamente presente. As vezes acordamos aleijados, as vezes acordamos e achamos que o dia de morrer está próximo.

Falar é o remédio, trocar experiências é sem dúvida  o caminho para a cura.

Quando comecei não achei que iria durar tanto, não achei que conheceria tantas pessoas e que fosse compreendido por tanta gente, agora, já andando a passos largos para uma vida mais intensa, sinto uma certa responsabilidade com aqueles que vem até aqui para comungar com um igual, sinto que tenho que continuar a falar, mesmo sem sentir a dor que antes destroçava a minha alma.



 Escrito por Rogério às 22h57
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Inerte

Inerte, entorpecido, inanimado, inativo, imóvel, sonolento, passivo... Hoje levantei assim, não sei qual a melhor palavra para definir o meu estado de espírito, talvez uma delas, talvez todas juntas. O dia esta preto e branco, as cores fugiram novamente da minha retina, estou vendo tudo como em um filme antigo, os minutos demoram a passar, a cama é o meu único desejo, não estou deprimido, o que sinto é muito diferente da depressão, estou apenas sem vontade de construir, de começar algo novo, sei que é só por hoje, me entrego ao ócio porque a muito não faço uma parada estratégica, faz tempo que não abasteço o tanque das vontades e desejos, quero que o dia passe lento e que meus pensamentos não saiam de perto de mim, quero tê-los como companheiro e não como juiz, hoje quero ter controle, quero leva-los para onde devem ir. O Sol está como eu, está evitando se mostrar, está evitando cumprir o seu papel, não ilumina nem aquece, mas está lá e ficará pela eternidade, as nuvens estão mais aparentes e passam rápido, não quero olhar para elas, não estão amistosas para devaneios, as formas são sempre iguais, são como riscos no céu, rabiscos de uma canção mau escrita, sons que machucam os ouvidos. A baleia e seu filhote mergulharam para o fundo do Céu sem fim. Hoje definitivamente tirei o dia para balanço, quero pensar nas coisa que tenho que fazer, nos atos insanos e sem sentido que cometi nos últimos dias, nas desculpas que tenho que pedir, nas amizades que tenho que avaliar. Na minha nova vida, resolvi que não quero mais a morte como minha companheira, terminamos um relacionamento de alguns anos e sempre que se termina um relacionamento duradouro, sobra muita coisa, sobra muita mazela, sobra muita porcaria varrida para de baixo do tapete, tenho consciência que não chegou a hora de abanar o velho e mau cheiroso pano. Por algum tempo tenho que conviver com o odor de mofo e de coisa estragada, preciso estar mais forte, preciso entender algumas coisas. Alguém me perguntou se não me envergonhava de ter 35 e viver acompanhado de tantas incertezas, confesso que pensei no assunto, e cheguei a conclusão que além de não ter vergonha, sinto que sou privilegiado. Que chato seria ter qualquer idade e saber de tudo, entender de tudo sem espaço para novas descobertas, fechado para o novo, fechado para aprender coisas novas, fechado para mudança, para novas emoções. Quero continuar assim, quero viver de maneira livre e despojada de preconceitos, quero aceitar o diferente, quero abraçar o novo quero ser amigo e irmão do imponderável. A certeza das coisas mata toda a possibilidade de descoberta, destroe a imaginação, acaba com o sonho. Quero estar sempre em um estado de mudança, quero acreditar no hoje, amanhã penso como vai ser, defino no momento qual estrada me atrairá.



 Escrito por Rogério às 13h01
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Feliz Ano Velho

O oposto de não ter o que falar é uma avalanche de lembranças do passado, e uma história as vezes surge do nada, o fato de ver um objeto ou ouvir uma música, tudo retorna, e no meu caso retorna com muitos detalhes, que as vezes até me assuto. Sou péssimo para guardar coisas que me aconteceram hoje, mas sou especialista em lembrar de situações ocorridas a muito tempo.

Hoje levantei e resolvi por um pouco de ordem no armário onde guardo os meus livros, e anotações, na arrumação encontrei um livro que mexeu comigo, hoje e quando li pela primeira vez, tocou fundo porque ele na sua despretensiosa missão mudou o rumo de muitas coisas, talvez indiretamente este livro tenha alterado o meu futuro.

Feliz Ano Velho, era final de 1985, Marcelo Rubens Paiva, o grande responsável pelos meus deliciosos devaneios juvenis, eu tinha acabado o segundo colegial, estava indo para o terceiro, e na minha cabeça, só a certeza que 86 seria o meu último ano em Botucatu, nada era mais importante que a possibilidade de morar sozinho, nada era mais importante que ganhar a liberdade, que quando não se tem se quer absurdamente.

O ano que entraria seria um ano de decisões, eu não tinha a menor idéia de qual curso iria fazer, as possibilidades eram muitas, e nenhuma definição, tinha apenas 16 anos e o mundo, o tempo e a vida inteira pela frente, minha cabeça girava como gira um catavento e rodava como uma biruta, o vento que soprasse mais forte lá estava eu apontando o caminho, hoje um amanhã outro e o depois de amanhã já era tempo demais para planejar.

Para mim era Feliz Ano Novo, devorei o livro como se devora uma deliciosa trufa de chocolate, as descrições do Marcelo sobre o ambiente universitário, sobre as atitudes libertárias, sobre as possibilidades, sobre tudo que estava por vir, faziam com que o livro representa-se todos os ambientes que estariam disponíveis para que eu pudesse percorrer e desfrutar no futuro próximo.

Apesar de tudo, apesar da fatalidade, apesar da dor que o Marcelo descreve sobre as perdas irreparáveis o que brilhava na minha frente eram os bons momentos vividos por ele, e que do fundo da minha alma sonhava experimentar.

O ano de 86 passou tão rápido que lembro-me só das tardes em que ficava estudando, das músicas que ouvia e da namorada que pouco nos víamos, pois nós dois estávamos muito preocupados com o vestibular, julho já havia passado e ainda não sabia qual o curso que iria fazer, tinha uma vaga idéia, gostava de comunicação e de números, de coração queria jornalismo, mas não tinha coragem de bancar o sonho, engenharia era uma opção que agradaria a família.

Faltando algumas semanas para escolher o que queria ser quando crescer, peguei com um colega de turma um manual que mostrava os cursos mais concorridos, olhei com muito critério os cursos onde a concorrência não seria empecilho para que eu pudesse em 97 estar morando fora, sonhava com a vida livre, sonhava com a Republica que o Marcelo tinha descrito, sonhava com o quarto com beliche e muitos cartazes colados na parede, imaginava como seria perder a virgindade, imaginava que poderia fumar baseado sem restrições.

Escolhi por eliminação Engenharia Civil na Unesp, Como programado passei na terceira chamada, fui estudar em Bauru, não é longe de Botucatu, mas como o curso era integral me mudei com todo prazer.

O sonho de liberdade havia se realizado, nem passava pela minha cabeça que engenharia não era a minha primeira opção, fiquei tão encantado que por muito tempo achei que tinha nascido para ser engenheiro.



 Escrito por Rogério às 20h56
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Sem nada pra escrever

Já ouvi falar sobre autores que perdem a inspiração, acordam um dia como outro qualquer e as palavras estão todas embramadas, embaralhadas como em um jogo de cartas. Não dizem nada, não formam frases, não se compõem...

Confesso que sempre achei isso uma bobagem, sempre achei que era uma espécie de propaganda, de auto valorização, desculpa pra não escrever por falta de vontade.

Já ouvi dizer também, da sensação do mundo desabando sobre a cabeça, pois o mundo do escritor, são as suas verdades e mentiras expostas ao mundo ao leitor. A criação que se mistura no caldeirão de suas memórias, as palavras que se fundem até o ponto de não saber o que era antes, e assim nasce algo novo...que renasce de algo que já foi e que já morreu e agora revive.

Pois hoje acordei assim, fiquei um tempo deitado pensando, remoendo, caçando palavras, buscando fatos, tentando prender nem que fosse uma única frase que fizesse sentido... e nada.

Será que só consigo escrever sobre os efeitos da depressão???, será que o motor dos meus textos é a angustia???....pois estou bem, me sinto ótimo. Então acho que por hoje estou redimido dos meus pecados e não terei que tomar a escrita como penitência. Só escrevo pra dizer que não sei o que escrever, e que estou bem e que por hoje ficamos assim sem nada ou sem tudo.

Ps. O psiquiatra resolveu que não sou mais um deprimido, agora sou um "Bipolar", sofro de um mau que se chama "Transtorno afetivo Bipolar" e antes era chamado de "PMD", pisco – maníaco - depressivo, em um concresso qualquer acharam por bem mudar o nome, deixar a "coisa" um pouco menos feia, pois bem, já que é assim, fiquei pensando em alguma coisa que pudesse melhorar um pouco mais, e abaixo as tentativas

  • Desconcerto afetivo bipolar;
  • Desarranjo afetivo de dois lados opostos;
  • Desorganização afetiva bidirecional ;
  • Dois lados opostos desorganizados;
  • O Desmanchar da afetividade bidirecional.

Este último daria o nome de um romance ou filme, sei lá, então, desisti, acho que não nasci pra inventar nome de doença, acho que o tal do transtorno afetivo bipolar realmente fica mais adequado.

Percebi então, que estou no meio de uma senoide sem fim, hora meu ânimo está lá em cima e acho que posso tudo, hora está lá em baixo e me sinto o pior dos piores, e acho que não posso nada, a dor vem dessa montanha russa de sentidos, deste sobe e desce, desse pode não pode.

Então o medicamento indicado é um estabilizador de humor, que por sua vez me deixa de maneira que posso mais ou menos quase tudo ou quase nada, então entendi porque estou sem inspiração, a medicação me deixou equilibrado, e para falar de sentimentos não se pode estar equilibrado tem que estar apaixonado.



 Escrito por Rogério às 20h22
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Presente

Lembrei-me do passado com leveza, lembrei-me de coisas que escrevi quando ainda era muito jovem. " Lembranças do passado são como flores, esperanças do futuro são como flores e as cores ?.... "

Quanto as cores, não precisamos querer todos os tons na mesma palheta, podemos em um lapso se atrapalhar e contaminar a mistura , não precisamos de tanto, podemos contentar com o necessário, podemos encontrar o belo próximo do simples e agarrado ao básico. A demasia de tons prejudica, transforma e distorce o objetivo inicial.

Depois de muito tempo entendi melhor estas comparações entre flores, passado, cores e futuro. As flores são belas mas fugaz, só é eterna em nossas lembranças, só se pode contemplar sua beleza máximo por alguns dias apenas, depois não passará de uma bela lembrança, como nossas vidas, só é válido a contemplação do momento, nem o passado nem o futuro é tão forte quanto o agora, quanto o hoje.

O Passado e o futuro são leves, porque não estão sendo vividos, porque temos controle total sobre o que já passou e porque não temos controle nenhum pelo que virá, o imponderável é mais poderoso que qualquer coisa, não dá espaço ao planejamento.

Na minha vida não tem nada resolvido, desisti de planejar, estou em estado letárgico, a espera do que virá, vivo apenas o agora, vivo apenas o instante. Perdi a capacidade de lidar com as coisas que fogem do meu controle.

Confesso que essa atitude foi necessária para me salvar, para salvar a minha vida do monstro terrível que me engolia vivo, pois o tamanho da minha ansiedade é maior que o ato da espera, então não espero mais nada.

Estou no barco e lancei o remo longe, de maneira que é impossível resgata-lo, rompi com a direção, entrei no fluxo, agora deixo ser levado pela correnteza.

faço a opção pelo hoje, pois é real e possível...



 Escrito por Rogério às 18h03
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Cheiro de eucalipto

A noite que passou sonhei um sonho bom, por muito tempo só os pesadelos freqüentavam a minha mente, que alívio, achei que seria impossível sonhar com coisas leves novamente.

Sonhei que caminhava por um corredor de eucaliptos, a luz estrava suavemente e chegava até mim filtrada pelas folhas finas, o chão era macio e ao andar sentia que caminhava por um colchão de palha seca, sentia o cheiro refrescante das árvores como se de fato estivesse ali, ou lá. O ar entrava involuntariamente, não precisava querer, não precisava fazer força, entrava e pronto. Uma chuva de bem estar acolheu a minha alma, hidratou a pele ressequida do espírito, me deixando pleno e satisfeito de coisas boas. Foi tudo tão leve e singelo que evitei pensar no significado da estrada de eucaliptos altos e cheirosos,

Definitivamente não acho que tudo tem que ter um significado, penso muito que somos levados ao sabor do acaso, não precisamos passar o tempo todo avaliando, tem momentos que temos que se lançar ao vento e subir até as nuvens e deixar os pensamentos cravados na terra, enterrados em cova rasa.

Assim estaremos prontos para amar plenamente, assim poderemos nos entregar sem restrições as paixões.

O que me importa hoje é que depois de muito tempo tive um momento sublime, ao acordar a paz veio grudada em mim, impregnou-me de bom perfume.

Ter o espirito leve, sem dúvida é a sensação mais significativa que podemos sentir, talvez dentre todos seja o sentimento mais buscado, é a jóia rara que garimpamos na lama escura de nossas mentes.



 Escrito por Rogério às 14h29
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Solidão

Solidão, solidão, solidão, de tanto pensar em ser só por opção, encontro-me perambulando pela estrada da vida sem ninguém, solidão agora imposta pelos meus atos insanos, encarcerado pelos meus pecados, pelos meus erros. Acho que a pena esta rigorosa demais, o número de golpes são maiores que as minhas costas podem aguentar, o sangue escorre, as lagrimas se transformam em mágoa, não sei se aceito mais, não sei se poderei olhar pra quem segura a chibata da mesma maneira que antes, depois de sangrar quase até a morte, as feridas um dia se tornaram cicatrizes e por mais que queira sempre estará ali para que sejam lembradas até o último dia.

Queria dormir um sono profundo, ficar dias sem acordar, caminhar pelo imaginário e quem sabe encontrar um porto, com águas mansas e cálidas, aportar o barco da minha vida e num impulso saltar da nau e correr por campos de grama rasteira, com o sol se pondo e um leve aroma de alfazema no ar.

Queria correr tanto até meu peito estourar, na iminência, ajoelhar e deixar o corpo cair com os braços abertos, ofegante sentir bem de perto o cheiro de grama e terra agarra sem fazer força uma touceira e continuar ali até que o ritmo das batidas do meu coração diminuam e devagar possa me acalmar, sem pressa, rolo o corpo de maneira que fique olhando pro céu e ali permanecer até que as primeiras estrelas comecem a se mostrar, como quando criança ver as formas que as nuvens formam, deixar a imaginação correr, enganar a razão e ver uma grande baleia com seu filhote nadando na imensidão do céu azul.

A noite rouba o dia como um amante apaixonado rouba um beijo de sua amada....como eu queria uma amada, como eu queria ter uma namorada e neste instante mágico pensar como é belo os teus cabelos, como é gostoso o teu beijo.

Quero amar loucamente, sem razão sem noção, quero sentir tesão só de imagina-la no banho, na água que escorre pelo teu corpo, e morrer de ciúmes das gotas que mais envolventes que minhas mãos possam percorrer de forma plena cada milímetro de sua pele, de seus pelos.

Quero fazer sexo com amor, com ela e com mais ninguém,  quero ser só dela, quero ficar dependente do teu cheiro da tua voz, das tuas pernas. Quero penetra-la e lá ficar por horas, como se um só corpo fossemos, não saber se sou eu ou se é ela que estou sentindo.

Cadê a minha amada?, onde a encontrarei? Onde buscarei?

Queria por um dia voltar a ter vinte anos, voltar a acreditar nos sonhos, no futuro, na paixão, acreditar que existe alguém para ser amada se desejada.

Quando tinha 20 anos eu acreditava que existia alguém que estava predestinada a ser a minha única amante, minha única princesa e que ela estava em qualquer lugar e as vezes pensava: “E se ela estiver na Nova Zelândia, na Austrália, na África”, imaginava então que deveria viajar, poderia rodar o mundo em busca do meu tesouro da minha amada. Não tive coragem, fui covarde, fui comum, desisti do meu sonho e vendi a minha alma ao diabo por um preço muito baixo, fui negligente com os meus sonhos e agora pago o preço.

Queria ter sido repórter fotográfico, queria correr o mundo com uma câmera e um dia focar a minha amada.



 Escrito por Rogério às 22h03
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Dias de fuga

Muitos dias fugindo, o meu grande companheiro além dos anti-depressivos e assiolíticos tem sido o dramim, é o único que me tira da roda sem fim de pensamentos e me coloca em estado de letargia, preciso parar de pensar um pouco, preciso dormir, preciso descansar.

Esse tempo foi importante, tudo estava tão confuso que não era capaz de colocar prioridade nas minhas atitudes nem estabelecer um critério linear de pensamento. Ainda existe um turbilhão de sentimentos que não entendo, mas já sou capaz de voltar ao mundo real e tentar um contato.

Estou morando em um apartamento, décimo quarto andar, o vento açoita as paredes do prédio, como minhas memórias açoitam a minha mente, não tenho coragem de sair na sacada para aproveitar a vista magnífica que sem tem daqui, pode-se ver o fim dos quatro cantos da cidade, da sala dá pra ver a catedral iluminada. Nem de perto tem a magia do sol que rompia as janelas do meu escritório ao amanhecer, mas carrega o encanto do horizonte estendido, me provoca a sensação as vezes necessária da pequenez em relação ao universo e o despertar de que existe horizonte, de que existe muito a ser visto e explorado.

Ainda me resta um rápido e quase imperceptivel lampejo de se lançar em um vôo sem volta em busca do conforto que não tenho certeza de encontrar, mas o sorriso do Didigo me faz pensar que ainda não cheguei ao fim, por hora acho que é apenas isso que me segura, então a idéia de Icaro é descartada e protelo tudo pra depois, as conversas, as decisões, os conflitos...

Escrever um blog é uma das experiências mais significativas do ponto de vista da exploração das minhas angustias que já tive antes, em um dos textos fui alertado sobre o "egoísmo", confesso que não tinha pensado com muito critério o quanto estou sendo egoísta e como só os meus sentimentos tem peso na hora de esparramar palavras na tela, mas digo, que por mais que tente não consigo sentir nada tão intenso quanto a dor que esmaga o meu peito, não consigo ter o discernimento de olhar para o lado e perceber o sofrimento alheio, não consigo nem ao menos comparar, pois a depressão é tão nefasta que me lança em um mundo em que se é possível ouvir apenas o palpitar do meu próprio coração, só é possível ver o meu próprio sofrimento, e mais nada.

A impressão que tenho é que fui lançado em um quarto com paredes de espelho, onde um reflete o outro que reflete o outro e me repito até o infinito, eu repetidas vezes eu.

Apesar da depressão e da falta de perspectiva ser um componente muito forte na minha vida, não consigo parar de trabalhar, a arquitetura me chamam toda hora para a labuta. O pesar é que em muitos casos faço apenas pela sobrevivência e pelo dinheiro. A muito percebi que neste ofício só se tem um grande projeto quando tudo conspira a favor, não me sinto totalmente responsável pelo fracasso nem pelo sucesso, não me sinto o autor único das obras que me agradam aos olhos e a alma. Para o belo fluir antes de mais nada o cliente tem que querer, tem que desejar como um amante deseja sua amada, tem que lhe confiar o encaminhamento das formas.

Muita interferências poluem a idéia e a obra, então, entrego  para aquele que de maneira insistente alterou o conteúdo e confesso que não olho mais como se fosse minha, sobra apenas a sensação de mais uma vez ter me prostituído pelo pão.

Diferente, no espaço que o blog me confere sou dono de tudo sou responsável por tudo, e não considero que neste campo exista fracasso ou sucesso, escrevo sempre de maneira compulsiva, sem muito tempo pra correções e publico o mais rápido possível antes que o instante de dizer as coisas passem e deixem de ser importantes, com isso afasto as preocupações de pontuação e de boa estética literária, pois o objetivo maior não é agradar. " É apenas compartilhar " é apenas o descascar das idéias, é apenas o vomito as vezes involuntário das angustias que perturbam a minha alma é apenas pintar o dragão de sete cabeças como ele se apresenta.



 Escrito por Rogério às 10h10
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21 de abril

Dia 21 de abril, mais uma vez a depressão me vence, me lança ao chão e me faz lamber as tuas botas sujas, me faz rastejar até que os meus joelhos fiquem descarnados, e dentro do meu peito faz bater um coração meio morto.

Minha segunda esposa não agüentou mais, me pediu pra sair de casa, entrei em choque, fiquei alguns segundos para digerir o que estava acontecendo, tudo pareceu ficar em câmera lenta, os gestos passaram a serem percebidos, olho a minha direita e vejo o Didigo, olho pra frente e vejo ela prostrada com seus olhos afogados de lagrimas.

Não foi nada de uma hora pra outra, na verdade foram anos, meses, dias, minutos, até o copo transbordasse e que a bomba explodisse, corpos e almas esfacelados. O Monstro terrível da depressão mais uma vez venceu a todos.

Não me permito mais achar que sou eu, não quero me comparar a besta de dez cabeças que me abraça e me esmaga junto ao teu peito, me tirando o pouco ar que consigo enfiar a força para os meus pulmões.

Hoje é dia de luto, as minhas lagrimas caem com tanta intensidade que as vezes acho que posso ouvir o som delas encontrando o chão. Perco para a vida ou para a morte, mais uma vez, sem saber dizer o que é mais forte.

Deixei em casa o Rodrigo, uma esposa cansada e uma criança em seu ventre. Como posso entender tudo isso, como ouso tentar explicar, se não é a minha vontade que me domina, mas sim a rédea da doença que me controla.

Humilhado faço as malas sem quase poder enxergar o que estava colocando dentro, algumas peças de roupa, alguns sapatos e acima de tudo a derrota de mais um casamento desfeito, a derrota de mais um sonho jogado no lixo, e lixo sem direito a lixeiro, lixo que devo carregar no lombo até que encontre um abismo sem fim para lança-lo.

Humilhado saio de casa de cabeça baixa, não tenho coragem de olhar pra trás, não tenho coragem de olhar tudo aquilo que construí junto com a Jú e agora não me pertence mais, não faço mais parte de nenhum sonho que sobrou dentro daquelas paredes cuidadosamente projetadas para ser um lar, para envelhecermos juntos e ver nossas crias se tornarem homens. De certo não deixei a casa, deixei o lar, de certo não deixei pessoas deixei queridos.

Humilhado peço abrigo a minha mãe, mais uma vez me recebe, abre a porta de sua casa e me acolhe. Só que agora as coisas são diferentes, na primeira separação, apesar de amar a pessoa com quem compartilhei pouco mais de 3 anos, não tinha o sentimento de família que tenho hoje, pois hoje entro na casa de Dona Rose não apenas como filho, mas como pai que deixa o teu filho, e que lhe segura nas calças e diz que ainda não é hora de ir ao trabalho.

Que dor que sinto agora, que tristeza que me arrebenta os nervos e dilacera a alma, não sei se agüentarei ficar sem o Didigo, não sei se conseguirei dormir sem as tuas mãozinhas mexendo em minhas orelhas.

Ele tem apenas 3 anos mas entende tanta coisa que as vezes me assusto.

Enquanto eu e a Jú conversávamos e delineávamos nosso destino ele entrou no mei de nós, me abraçou forte e disse: "Papai eu gosto muito de você" , me largou, caminhou até a Jú e disse a mesma coisa. Aquelas palavras soaram como um tratado, não eram apenas palavras era a vontade de uma criança de que as coisas permaneçam e seus lugares.

O Didigo sempre foi o grande guerreiro contra o monstro, era o único que não podia ser atingido de maneira direta, era o único que com sua força serena e inocente conseguia esmagar uma de suas muitas cabeças e me trazer de volta a normalidade.

De uma só vez perco meus sonhos, meu rumo. Não sei como vou sair de casa hoje, e não sei porque sair de casa, o trabalho perdeu o sentido, por hora nada faz sentido.

Da onde estou não consigo mais ver o sol romper o horizonte e dar mais uma vez o início de sua jornada cotidiana, pequenas coisas que alimentavam a minha alma agora estou sem. A leve presença do Didigo o amanhecer e outras pequenas coisas que ficaram esparramadas pelo caminho.

Deixo como rastro de vida, dois casamentos fracassados, o Didigo e um filhinho no ventre da Jú.

Não consigo parar de chorar, não consigo achar saída pra tudo isso, não consigo acreditar em nada, principalmente no futuro, todos os sonhos foram lançados ao vento, todo desejo foi arrancado da minha carne, todo sabor foi cauterizado da minha boca, sou um morto vivo perambulando pelas ruas da vida, sou um mingúem que carrega um monstro multicefálico e como rabo de lagarto tem o poder se regenerar toda vez que uma de suas cabeças é estirpada.

A partir de agora largo o tratamento, largo a terapia, vou viver ao sabor do destino, sem nenhuma interferência, e peço apenas que me seja complacente e me arranque a vida de maneira definitiva, não suporto mais ser roubado a conta gotas.



 Escrito por Rogério às 12h08
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Vida descritiva!!!

Quando fiquei sabendo da oportunidade de poder descrever e escrever o cotidiano e de quebra a chance de outras pessoas acompanharem, fiquei entusiasmado com a possibilidade de abrir um espaço para um contato íntimo e impessoal, passar aos outros a aventura que é a vida real , e maquiavelicamente expurgar a podridão da minha alma. Desta maneira aliviar a dor de viver, aliviar e quem sabe golpear até a morte os fantasmas que perambulam ao meu lado e que de maneira sistemática me carregam e dão o destino que querem dar, sem chance de escolha.

Comecei relatando um pouco do momento que estava vivendo, falei sobre ser deprimido e estar em tratamento, e que estava agarrado ao dragão com uma espada afiada pronta pra derruba-lo, depois que publiquei achei que ficou esquisito, ficou um texto de auto ajuda, como aqueles livros que se vendem aos montes, escrituras que na sua maioria tentam te convencer de alguma maneira que a vida vale a pena.

Pensei por alguns dias, e achei horrível aquilo tudo, não estava sendo correto, não seria e nem conseguiria ser sincero, pois o que ainda vivo não chegou nem na metade do túnel, ainda não consigo ver o lampejo de luz pra indicar que estou na direção certa e o quanto falta para entender as coisas da minha vida , da minha alma.

Depois desta tentativa catastrófica, tentei criar, dar vida e movimento a um personagem estático, parte seria eu e  outro tanto ficção. Imaginei um homem de trinta e tantos anos preso de maneira voluntária em seu quarto, enclausurado, em uma atitude egoísta e arrogante, imaginei alguns livros sem utilidade uma cama um computador e as janelas lacradas. Deste micro espaço o personagem faria as conexões com o mundo externo, estaria vivendo em um quarto da casa onde outras pessoas também viviam e como um rato saia do quarto para caminhar pelos corredores nos momentos em que todos tivessem fora. Passaria horas no computador conhecendo pessoas , mandando e recebendo e-mail, sendo sincero e mentiroso pra dar graça e desgraça a vida porca.

Confesso que não agüentei ficar no quarto escuro, acompanhado desta criatura grotesca e mais individualista que eu próprio.

Mesmo sabendo que era uma criação eu como criador não tive controle sobre suas angustias e sua auto comiseração, apesar de ser deprimido a maior parte do tempo, necessito do contato físico, necessito de ser abraçado e de abraçar. Então, por mais uma vez a tentativa de montar um blog com situações que fossem importante abordar tomando partido de um personagem caiu por terra, neste instante percebi que era um péssimo escritor, pois só conseguiria escrever na primeira pessoa, só conseguiria dizer e relatar aquilo que realmente acontece comigo.

O quarto escuro foi aberto e libertei a figura estranha que rejeitava a vida muito mais intensamente que eu. Me senti aliviado. Libertar sempre é um momento altruísta, sem dúvida era o ato de permissão para que o personagem ou eu mesmo continue seguindo o caminho de maneira interativa e próximo das coisas e acontecimentos relevantes.

Depois do quarto escuro com suas janelas arregaçadas entendi que o melhor que deveria fazer era ser eu falando do eu, era  falar do meu passado das minhas angustias e dores era o Rogério aprendendo a viver a cada dia a cada instante, sem o objetivo de ser exemplo ou ajudar ninguém, era apenas e tão somente a minha vida expressa em palavras e impressas na tela luminosa.

Percebi que realmente este quarto existiu dentro do meu espirito, foi o esconderijo da minha alma, era a minha vontade naquele instante de desprender-me do corpo físico e viver apenas no éter, era como se o que importa-se realmente fosse apenas os meus pensamentos.

Assustador e obscuro, sou fechado em um mundo só meu, os muros da minha alma são quase intrasponives. O meu coração é uma montanha alta de difícil acesso, infelizmente o pico é tão alto que nem eu mesmo sei se um dia alcançarei o cume. eu já tentei escalar e outras também e todos nós fomos vencidas pelas avalanches freqüentes, capaz de paralisar qualquer coisa, inclusive eu.



 Escrito por Rogério às 05h55
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Rumos

Hoje, na repetição de alguns dias, levantei-me novamente muito triste, triste com a vida, triste com os acontecimentos do meu país, e do mundo. Procuro não ver o noticiário e não leio jornais, principalmente os cadernos sobre cotidiano, tento fugir da barbárie o máximo que posso, mas não tem como ficar alheio e protegido. As notícias rolam e esmagam nossas cabeças como um trator de esteira, Chegam até aos meus ouvidos e penetram o meu coração como lanças flamejantes com tochas na ponta, capazes de incendiar o meu espirito de tristeza.

Ontem um amigo, também engenheiro, trouxe a notícia que é mais seguro estar em Bagdá do que no Rio de Janeiro. Que tristeza, que país estamos construímos para os nosso filhos, que ambiente inóspito estamos criando, conseguimos chegar ao fundo do poço. Agora fica a pergunta será que existe mais pessoas, mais políticos, mais empresários dispostos a cavar mais alguns metros, ou agora chegou a hora de fechar o buraco.

De qualquer forma a minha tristeza não é só por conta da violência instalada e institucionalizada nas ruas e nos gabinetes do meu país e do meu mundo. A minha tristeza é pelas pequenas coisas que afetam o meu cotidiano, pois ainda em Botucatu não percorrem sem destino balas achadas.

Estou triste porque tenho uma vida que não queria, detalhes pequenos que somados ficam grandes o suficientes para chegar a conclusão de que está difícil a saída.

Apesar de ser engenheiro, trabalho a contra gosto, dei continuidade no curso que não deveria, parte da minha tristeza foi não ter tido a coragem suficiente de parar e fazer o que realmente sempre foi a minha vocação. " Criar"

Confesso que levanto todos os dias apenas para ganhar dinheiro, pois o pouco interesse que carrego pela profissão já está guardado em alguma gaveta junto com diploma , a espera do dia que não saberei mais em qual gaveta foi depositado.

Sinto que deveria ter mudado o rumo das coisas no momento em que dei um tempo no curso, " para quem vem acompanhando as minhas publicações lembarn-se do momento que dei um tempo no curso de engenharia", lembro-me daqueles dias e de como foram importantes na minha vida,

Não deixo de me arrepender, pois deveria ter parado definitivamente naquele momento e fazer qualquer coisas que pudesse me expressar, que pudesse trabalhar com sentimentos e criações, de medo, retorno ao curso dos sonhos de todos, menos o meu.

Está tão pesado e me oprime tanto, que faz com que a morte se torne mais branda que a prostituição cotidiana.

Neste meio tempo me especializei em urbanismo, me afastei um pouco da engenharia e fui fazer arquitetura arquitetura, também não foi o que acreditava.

Os interesse econômico continuam como na engenharia interferindo na liberdade de criação,

Em urbanismo o que poderia ser a expressão de uma idéia elaborada para melhorar a qualidade de vida e a estética das cidades passam a ser imposições para garantir apenas o ganho de capital, não descarto essa possibilidade, mas não pode ser exclusiva. Então mais uma vez me sinto prostituto dos meus afazeres, pois sigo regras toscas e o que acredito fica guardado em uma gaveta dentro do meu coração.

Os meus sonhos de um lugar melhor já se foram, a cada pedaço de cidade que projeto tem muito pouco de mim, tem muito pouco de humanidade.

O que ocorre invariavelmente são pastos esquartejados, arruamentos lançadas sem critério nascendo assim pedaços de qualquer coisa, retalhos sem composição sem ação. Nascem qualquer coisa muito distante do que acredito.

As vezes olho uma área belíssima e o meu espirito fica repleto, converso com ela e ela me diz o que tem que ser feito, suas curvas de nível, seus vales e cumes indicam o melhor traçado.

Por força da atividade econômica e do espirito equivocado do empreendedorismo o que se vé é um recorte tosco, ruas incongruentes, tradução mau feita daquilo que estava claro, está consumado mais uma vez um local sem qualidade para habitar.

Não consigo mais viver desse dinheiro ganho, pois não é dinheiro limpo e justo, nem comigo nem com a natureza e muito menos com a sociedade.

Estou cansado, não consigo mais argumentar, o brilho nos meus olhos foram arrancados a pancadas, sonhar é ser louco. É pejorativo.

A cada dia que levanto, pendo em jogar tudo pro ar e fazer outra coisa que não dependa de interferência financeira, poder criar e viver da criação, propor o belo e poder viver da manifestação da criatividade do espirito.

escrevo compulsivamente, as lágrimas embaçam a minha vista e molham o teclado, não agüento mais viver essa vida vendida.

Aos jovens peço que tenham um pouco mais de coragem, e lutem mais, sejam mais corajosos em suas defesas, façam projetos de cidades que acreditem, saiam a campo e antes de sentar diante da tela e ligar o micro, antes de aparecer a tela do "auto Cad" andem pelos pastos e conversem com a terra, sinta de onde vem o vento e para onde ele caminha, veja onde o sol nasce e se põe, não comecem nada sem antes em um dias de chuva andar pela braquiaria e ver o caminho que a natureza propôs, olhe para a vegetação, preserve o que puderem e o que não puderem também, só depois desse namoro, sentem-se em frente do micro e escreva um tratado, escreva para o futuro aquilo que a natureza lhes contou, só assim terás um bom projeto, seja sensível e apenas passe para o papel aquilo que a milhares de ano já estava projetado.

A minha vontade neste instante é se livrar do corpo que me impede de ser eu mesmo, pois toda vez que olho para o espelho não me vejo, ali encontra-se a imagem de qualquer coisa menos a minha própria, menos a imagem do Rogério com os olhos brilhando e sonhando com os dias vindouros e acreditando que poderia fazer o que o coração mandassem, e no fim do dia deitar a cabeça no travesseiro aliviado de ter feito o melhor. Sou triste porque não faço o melhor.

Não achei quando comecei a escrever que daria no que deu, mas se foi assim que seja então.

Digo por último aos mais jovens que seus corações fiquem repletos de coragem toda vez que alguém lhes disser que são sonhadores do impossível, pois o possível acontece sem esforço e nas mãos dos medíocres.

Muito diferente do que acreditam a maioria, os sonhadores trabalham e constróem um mundo melhor.



 Escrito por Rogério às 07h22
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Então Bom dia a todos!!!

Bom dia!!! e mais um sorriso estampado no rosto é o segredo de um dia bom, foi o que uma senhora de passos curtos e cabelos branquinhos que sempre cruza comigo no caminho da padaria me disse um dia destes sobre começar bem o dia.

Particularmente sempre fui casmurro, não levanto-me, me lanço da cama e ao lado da cabeceira está a mochila com as mazelas dos dias anteriores, já prontas e bem arrumada, compartimentos e divisões fazem parte do conjunto, algumas mazelas ficam em locais bem fechados e difíceis de serem pegas, outras quase no ponto de caírem, dão um ar de falta de interesse em organizar, começo o dia lançando-a nas costas.

A julgar por minhas atitudes, além de faltar o sorriso no rosto, me falta também a sabedoria que sem a senhora me dizer com palavras me mostrou com os passos curtos e sem pressa, que a vida não tem que ser uma corrida eterna.

Não acredito que anda lentamente por conta da idade, pois demonstra boa saúde, acho que aprendeu a andar com a vida, ao sabor da brisa matinal e fresca, não a conheço de nome, são apenas observações sem a necessidade de descobrir o seu histórico, na verdade não carece, pois o que importa é a maneira como poucas palavras e gestos são capazes de mudar o rumo de muitas coisas ruins que estão por vir.

Não sorrio para aqueles que cruzam o meu caminho e muito menos levanto os olhos para dizer um gostoso bom dia porque me sinta superior ou coisa que o valha, alias, as vezes é mais presente o sentimento de inferioridade que a própria soberba.

Apenas não tenho o hábito e não tenho porque já salto da cama com a agenda abarrotada de compromissos.

Então, depois destas aulas de pequenas boas maneiras da doce senhora, resolvi fazer um teste: abri os olhos, e ainda deitado dei uma empurradinha nas mazelas que caíram ao lado, longe o suficiente para não conseguir resgata-las naquele momento, afinal de contas porque colocar nas costas se não me servirão prá nada, pelo menos por hoje. Levantei-me da cama sem saltar, tirei uma perna de cada vez, respirei fundo umas duas ou três vezes como aprendi nas poucas aulas de ioga que participei e larguei por achar que não estava mais tendo tempo de freqüentar.

Resolvi por minha conta que o dia seria diferente, coloquei um tênis confortável nos pés e com passos não tão curtos quanto os da senhora do "bom dia" fui até a padaria, pelo caminho com o corpo ereto e os olhos na linha do horizonte percebi pela primeira vez que o caminho que fazia todos os dias era muito mias bonito que poderia imaginar, tinha muito mias flores que podia contar e muito mia gente que via passar, então, cada pessoa que cruzava por mim eu lhes dava bom dia, meio sem jeito um sorriso com total falta de experiência, não importava era o meu primeiro dia neste novo universo, pois tudo que iniciamos não somos doutores, lava um tempo prá que aquelas atitudes pensadas se tornem um hábito e passem a escorregar da boca de maneira natural, para a minha surpresa muita gente olhou nos meus olhos e me deu bom dia, foi até engraçado, pois ia apostando comigo mesmo, quando avistava alguém com os olhos voltados para o chão eu dizia : pago dez se esse me olhar nos olhos e me retribuir o bom dia, para a minha surpresa todos que cruzaram o meu caminho naquele dia todos retribuíram as duas palavras mágicas.

Quando Saí de casa para o trabalho, olhei no retrovisor do carro e os meus olhos estavam brilhando, já sabia de ante mão que o meu dia seria bom, e foi!!! Não nego que muitas coisas foram difíceis, que problemas não tive mas estava mais forte para suportar e no fim do dia o meu dia foi bom.

Agora não perco a chance de dizer bom dia!!! Bom dia!!! bom dia!!!, olho nos olhos dos que cruzam e sorrio de graça, e para caminhar na vida prefiro os passos mais curtos e menos apressados.

Então Bom dia a todos!!!

 



 Escrito por Rogério às 06h41
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Devaneio 1

Hoje é feriado em Botucatu é aniversário da cidade, por conta disso, poderia ter ficado até mais tarde na cama, mas o meu corpo não releva e não entende absolutamente nada de calendários, eu consigo apagar por 4 horas e se insisto tudo fica pior, pois os meus fantasmas aparecem de forma tão real que é melhor estar fora da cama antes que eles cheguem, pois de pé ocupo a cabeça com outras coisas, as vezes trabalho, as vezes escrevo, as vezes apenas contemplo o céu,

Ultimamente estou evitando pensar na vida, pois são tantas decisões a tomar, que estou protelando até mesmo os pensamentos, acredito que é uma maneira que o meu subconsciente encontrou de poupar-me de sofrimentos extras, então me apego a estas pequenas coisas, não me queixo de dormir pouco, já faz parte do meu cotidiano.

Gosto de estar só por algumas horas do dia, e da forma que vivo, consigo um tempinho pra mim, não sou adepto a meditações nem a qualquer forma de culto, mas acho que esse período é um encontro com o meu eu, e que as vezes eu brinco que não é teu, com todos aqueles que acham estranho este hábito.

Ao amanhecer esfriou e logo começou a chover, então enrolei-me no edredom e subi para o escritório, confesso que é o meu canto favorito na casa, é onde sento para ler os meus livros, é onde vejo o sol nascer e o dia começar.

Hoje despertei sem ânimo para o trabalho, apesar de ter muitas coisa pra entregar, então me entreguei ao ócio e fiquei com a mente dispersa, ouvindo a água resvalar nos condutores e as gotas escorrerem pelo vidro, elas tem uma dinâmica muita parecida ao nosso cotidiano e a nossa vida em sociedade, ficam em seus lugares até que a força intersticial e a gravidade permitem que escorreguem, ficam agrupando e se desagrupando até que cheguem no fim do vidro, não dá para prever em que lado uma determinada gota irá escorregar, vai depender das que estão logo acima, das que estão ao lado e das que estão abaixo.

Por alguns instantes fiquei neste devaneio, depois comecei a ver a chuva molhando os terrenos vagos que ficam logo em frente a minha casa, pensei como é providencial aguar o campo árido, a grama que já estava quase pra secar, já estavam verdejantes, logo em seguida pensei nos desgraçados que são açoitados todos os anos por enchentes que levam o pouco que tem, imaginei que realmente tudo tem ao menos duas versões, daí lembrei-me de um amigo advogado que disse-me que tudo na vida tem três versões, que ficam divididas da seguinte maneira:, a minha a tua e a verdade, quando ele me disse isso eu lhe perguntei sobre a verdade, pois havia entendido as duas primeiras, mas a terceira eu não compreendia, pois o que é verdade?, então ele me disse que por conta disso ele sustenta a sua família, rimos um pouco da história, mas aquilo me fez pensar sobre o que é realmente "verdade" , falamos tanto, mas nunca sabemos onde é a sua morada, talvez pra mim fique ainda mais difícil entender, pois sou livre de crenças religiosas e confesso que ainda não entendo o significado da palavra, e se realmente ela existe de maneira plena.



 Escrito por Rogério às 15h23
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Família

Faz algum tempo que estou tentando ligar a minha velha máquina, já reiniciei pelo menos 5 vezes, teimo em não ir para o "note", o teclado é preto e as teclas são macias demais, gosto de ouvir o barulho do ranger das velhas teclas, é como na vida, as vezes nos apegamos a coisas que não tem muita lógica, esse micro comparado ao "note" é ridículo, mas as vezes gostamos do ridículo, mesmo sabendo que aquilo é ridículo, ou pelo menos sentimos nos confortáveis com aquilo que acostumamos, é como um sapato velho, é feio, é fedido, as vezes descola uma parte mas é muito confortável.

Não gosto de me estender em um determinado assunto, acho que fica enfadonha, e as vezes dá a impressão de estar subestimando a inteligência do leitor, faço isso porque gosto de estabelecer uma situação onde a pessoa que esta lendo possa ver e ouvir, talvez por isto ame tanto a literatura, pois podemos criar imagens e sons sem produzi-los de fato.

Segundo parágrafo e ainda não fui ao ponto, não disse ainda porque estou escrevendo, acho que não entrei no assunto pela falta de certeza sobre o que estou sentindo, alias a única certeza que me completa é que nunca terei total certeza de absolutamente nada. Depois da maturidade instalada vejo as coisas com muito mais dúvidas que nos tempos da adolescência, fase liberada às incertezas.

A dinâmica da vida é tão grande e tão veloz que não existe a possibilidade de estar certo de nada mesmo, não é um problema ou privilegio exclusivo meu, é como navegar em um barco a deriva no meio do oceano e um nevoeiro a lhe tirar a visão, neste instante só posso ter a certeza que estou no barco, que o barco esta a deriva e que não enxergo absolutamente nada, impossível saber mais do que isto.

As vezes invejo os crédulos, porque mesmo sem que vejam alguma coisa, acreditam que existe terra firme depois das águas revoltas e da fumaça penetrante do mar sem fim.

O amanhecer está mais uma vez maravilhoso, nuvens purpuras se movimentam no céu, o "degradê" do azul é a mais bela composição que já vi, as vezes acho que posso ouvir o sol se rompendo, e o dia amanhecendo, são 6:15h, é o meu melhor horário, em quanto todos dormem consigo ser eu mesmo, esta sensação me preenche tanto que minha vontade era de pular para o infinito e mergulhar nestas cores suaves. Fujo da intensidade veloz que o cotidiano nos impõe, porque buscar respostas para tudo?, acho que o melhor não são as respostas, são as atitudes, é o que podemos fazer. Fico com a alvorada, uma vida com passadas curtas e demoradas, não quero pensar mais, ao contrário, quero pensar cada vez menos até o ponto da ausência completa do pensamento, quero apenas e tão somente sentir.

Em contraponto ao amanhecer majestoso e depois de me desviar do ponto por cinco parágrafos, digo: como um pensador compulsivo ainda, que quero esperar mais nada, e esse nada é muito intenso e abrangente, não quero mais esperar nada do presente e nada do futuro, nem escolher qual a melhora atitude que uma pessoa poderia tomar em um determinado momento para uma determinada situação, essa organização me mata a cada instante, pois sempre organizo a engenharia da atitude.

Não creio na FAMÍLIA !, cheguei a conclusão que sofro muito mais acreditando e dependendo, então para sobreviver, prefiro rever.

Não digo apenas na instituição família, sobretudo enfatizo o problema nas pessoas que compõem. O núcleo se torna tão intenso e rígido que não existe mais espaço para o "eu", vira sempre nós, banaliza-se o nós, é faz com que o "nós" se torne padrão de conduta para o "eu".

A creditei por muito tempo que família era um porto seguro que hora ou outra o meu barquinho que invariavelmente fica a deriva teria espaço para amarrar no cais e ali descer em terra firme e caminhar com os parceiros. Hoje penso que família é uma "merda", com suas convenções, com seus pudores e acima de tudo com suas cobranças. Todos acham alguma coisa e esse achar coletivo é que está o problema, não acredito que dê muito resultado conclusões coletivas.

Achar que somos uma peque célula da sociedade é um terrível engano, devemos salvar a sociedade individualmente, porque só assim teremos uma sociedade capaz de atender de maneira mais satisfatória o indivíduo.

O coletivo é capaz de coisas terríveis, atitudes avassaladoras, muito diferente das atitudes individuais, digo porque no ajuntamento ocorre a fusão das forças e a sensação de invencibilidade, portanto existe a possibilidade do apoio, mesmo que alguns permaneçam fora, pois o que interessa é manter a instituição e não a união.

Por acreditarmos que estamos seguros, somos pegos de surpresa e arremessados no poço sem fundo do desamparo, pois toda vez que acreditamos na segurança e a perdemos o impacto é estraçalhado, capaz de tirar do eixo até mesmo as pessoas mais coerentes.

Então, se me permitem eu prefiro buscar a deus como fonte de respaldo do que participar de um núcleo familiar, onde a qualquer momento, agravada pelo conhecimento extremo um embate onde os oponentes se conhecem em minúcias.

Descobri a troco de nada que tudo que recebemos somos cobrados em dobro, ou talvez em proporção ainda maior de tudo aquilo que recebemos. Cobra-se pelo carinho, pelos conselhos, pela companhia....enfim por tudo aquilo que uma família pode oferecer e apesar de doloroso admitir não retiro-me da posição de credor.

Então porque uma organização que dá tudo a qualquer hora e o quanto puder cobra juros exorbitantes?, porque achar que isso é melhor que apenas você?, porque ter medo de dizer que FAMÍLIA é uma "merda" então, se a conclusão para isso é que somos todos agiotas do amor e da compreensão.

Sem dúvida sofrerão mais aqueles que se entregarem no engodo da segurança coletiva. Quanto mais seguro se achar, mais decepcionado ficará, então porque dar a linha ao Marlim Azul?. Dá se a linha Apenas para provocar a falsa impressão da liberdade que será conquistada se o esforço for sobrenatural. De maneira sórdida dar a linha apenas para o peixe ficar cansado e se entregar todo estraçalhado ao seu algoz, o que o Marlim não sabe é que a linha que o prende é mais frágil que a sua própria força, falta-lhe souber a intenção do pescador, pois se entendesse tal estratégia, lutaria bravamente próximo a embarcação a ponto de quebrar a linha que o prende e voltar a sua vida, voltaria a renascer do dia que não foi morto.

Quanto mais escrevo mais reluto em acreditar em tudo isso, então vou estendendo o texto na esperança de ter uma saída para tudo isso.

Então só me vem uma coisa na cabeça: FAMÍLIA serve apenas para o provimento das necessidades básicas para os menores, para nós maiores em tamanho, devemos prover apenas e tão somente, água, comida, vestimenta e cuidados médicos. Mas se por ventura existir alguma família destituída do "PERDE GANHA", pode graciosamente oferecer, amor, compreensão, atenção e tudo aquilo que é vital e imprescindível ao "eu".



 Escrito por Rogério às 10h03
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Me falta....

 

Hoje me Falta tudo!!!!

inclusive o nada me abandonou também.

Um vazio extremo ocupa a minha alma e minha mente.

Como um abutre que ocupa do seu pedaço podre de carne,

 rasgada de uma presa morta em um canto qualquer;

provavelmente caçada e abatida por um exímio predador.

Me faltam lágrimas para umedecer os olhos ressequidos de ficarem abertos,

Dormindo acordado;

De tanto fugir da dor que me corroe a alma,  mantenho-os abertos,  fechados;

para não danos maiores não sejam provocados e promividos

Ô extrema ignorância que me espezinha, me maltrata, a mim e aos que convivem comigo

A impressão que tenho é que estou pagando para ver quantos se manterão ao meu lado depois de eternos desfeitose malfeitos

Diferente de Midas,

ou pararecido com tam figura, 

sinto que se tocar em algo,

transformo em que esbarrei em um horripilante pedaço amorfo sem vida de qualquer coisa.

3º revisão - acho que este texto nunca terá fim....



 Escrito por Rogério às 18h31
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Certo ou errado? Eis a questão!

Faz algum tempo que estou olhando pra tela e nada me ocorre, enquanto estava deitado tentando dormir muitos assuntos dançavam na minha frente como em um baile de mascaras onde sabemos que são pessoas dançando, mas não vemos seus rostos, assim estava o meu pensamento, mascarado e dançante, o suficiente para arrancar o sono e joga-lo longe em local de difícil acesso.

O meu dia é dividido em quatro por vinte, quatro horas dormindo e vinte acordado, na última consulta ao psiquiatra ele me perguntou se eu achava que isto estava dentro da normalidade, respondi que a muito não consigo avaliar o que é normal. Então naõ saberia dizer se a minha dinâmica é normal. Baseado neste questionamento do médico, lembrei-me de um episódio que ocorreu estes dias no meu trabalho.

Na minha sala tem um rapaz que esta brigando para se manter em pé de maneira que as vezes sinto inveja, é um guerreiro, um lutador da vida.

Muito jovem começou a trabalhar, inteligente subiu os degraus, teve competência para ser chefe teve competência pra liderar, neste meio tempo conheceu as drogas e ficou vislumbrado pelo seu brilho, usou tudo que se pode imaginar, desceu todos os degraus e se jogou em um poço profundo, escuro e lamacento. Pra fugir da fissura que a droga provocava, procurou o álcool, droga lícita que mata e destroi tanto quanto todas as outras, mas por interesses econômicos fortes não é tratada como tal.

Eu e o Tonhão estamos sempre trocando pensamentos sobre coisas da vida, experiências que vivemos, e amenidades.

Um dia destes ele me colocou na berlinda, perguntou-me o que é certo fazer e o que é errado... "Vixe" tremi na base, como uma pessoa com tantas dúvidas como eu, principalmente no que se trata de avaliações, poderia achar uma resposta para isso, parece fácil o questionamento, mas no momento que comecei a pensar só o que me ocorreu foi um vale com paredes altas e escorregadias provocadas pelo limo do preconceito, de um lado o certo coletivo do outro o errado sócio - marginal.

Enfim o Tonhão acabou com a minha tarde, apesar de Ter me instigado sobre um assunto interessante, e que de certa maneira todos querem saber, passei a querer a resposta tanto quanto ele. Levantei, fui até a copa, peguei um copo de café, voltei e mergulhei no raciocínio que as vezes foge da lógica.

Não queria chegar a conclusão do certo e errado estabelecido por padrões sociais pre estabelecidos de conduta, desta forma seria responder o que já está respondido, onde geralmente são regras sociais apoiadas em sua maior parte em preconceito .

Neste momento bati umas trez vezes no bolço da camisa pra achar um maço de cigarro que a cinco anos não faz mais parte da minha extensa lista de vícios, confesso que neste instante seria um coadjuvante na busca de uma resposta mais adequada para este impasse.

Pensei que teria que ser uma resposta que não fosse aplicada para algumas coisas apenas, teria que ser algo que realmente valesse pra quase tudo, ou tudo de preferência.

Em um surto de lucidez que lampejou quase imperceptível, porem capaz de brilhar o suficiente e proporcionar-me um começo., escrevi algumas palavras em um risque rabisque, como preconceito, sofrimento, libertação, culpa, libertação, leveza...

O Tonhão, homem feito com cara de adolescente de um metro e cinqüenta de altura sentou-se ao meu lado e comecei a falar de maneira que no primeiro instante nem eu nem ele fomos capazes de entender, ainda era um esboço tosco da tese, mas já tínhamos um caminho.

Depois das palavras terem saído da boca e com a ajuda do Tonhão, jogamos fora os conceitos coletivos inevitáveis de serem ditos inicialmente e apuramos uma idéia mais particular do assunto.

Pensei:

A princípio não existe certo e errado, conhecemos e entendemos quase tudo a respeito destes objetos antagônicos de postura baseados em fatos abrangentes e coletivos, que, para nós , não interessava, pois, tanto para o Tonhão como para mim, queríamos algo que realmente valesse e fosse capaz de abolir o peso que carregávamos indevidamente, exclusivamente pelo "errado",

Aparentemente uma questão besta para muitos, mas para nós, uma questão complicada e se achássemos a resposta seria libertadora.

Se não existe certo e errado então oque existe?

Achamos que existem maneiras adequadas para resolver a questão para cada situação, pensamos "Certo é tudo aquilo que fazemos sem que cause dano ou prejuízo fisico e ou psíquico para o autor da situação e ou para o coadjuvante. Errado o oposto", baseado nisso, jogamos fora uma montanha absurdamente grande de coisas que afligiam nossos corações e mentes.

O Tonhão com sua inteligência impar entendeu a questão, mas ainda tinha dúvidas do funcionamento da "regrinha" simples, então passou a me fazer perguntas, foi legal, foi como fazer um test-driver da teoria.

Foram muitas perguntas e sempre a mesma resposta se encaixando, livre de qualquer preconceito e das regras impostas por milhares de anos por uma sociedade hipócrita e interessada na aparência exterior das coisas e atitudes.

Iluminei o meu caminho, joguei mais um caminhão de culpas que carregava por falta de discernimento.

Ajustamos um pouco e concluímos no final que: O que pode ser certo pra um pode ser errado pra outro e vice-versa, então depois de ser aperfeiçoado, ficou assim :

Certo pra mim é tudo aquilo que faço que não causa dano ou prejuízo físico e ou emocional, nem para mim nem para oa outros, entendendo como outros,  pessoas, meio ambiente e coisas. E o errado é o oposto, e o resto que se foda.



 Escrito por Rogério às 07h55
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